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Maya, as Ondas do Mar: Apresentação do projeto “Vida Pública” no Festival da Ciência para o Clima e na FLIAR da Escola Municipal Dom Aquino
Publicado em 16/03/2026
CATEGORIAS: Boletim IPPUR
Boletim nº 93, 16 de março de 2026
Eduarda Rimas Lessa
eduardarimaslessa@gmail.com
Graduanda de GPDES e bolsista FAPERJ
Flavio Matheus da Silva Borges
mflavio458@gmail.com
Graduando de GPDES e bolsista PROFAEX
Fonte: Acervo pessoal.
Vamos relatar duas atividades, ocorridas no mês de novembro de 2025 e realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão “Vida pública: como os temas republicanos impactam a integração de crianças imigrantes e/ou refugiadas nos espaços escolares e de ensino do município do Rio de Janeiro”. O grupo é coordenado pelas professoras da UFRJ, Renata Bastos e Flávia Guerra, e pelo professor Ricardo Marinho (Teia dos Saberes). É formado por estudantes extensionistas da UFRJ e bolsistas da FAPERJ e PROFAEX/UFRJ; especialmente dos cursos de Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social (GPDES), Relações Internacionais (RI) e Defesa e Gestão Estratégica Internacional (DGEI).
O projeto tem como propósito acolher, nas escolas públicas, crianças e famílias migrantes/imigrantes e/ou refugiadas, conectando sensibilidade e diversidade cultural por meio de práticas multissensoriais e debates sobre pertencimento. Neste ano destacamos o tema da educação ambiental através do tema da Década da Ciência Oceânica. Assim, o mar é um dos fios condutores de descobertas. Desta forma, nos vinculamos à educação ambiental, apresentando para as crianças a interação com o meio ambiente, o tema dos cuidados com a nossa Casa Comum, o planeta Terra, os mares e o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos. Nesse sentido, neste ano elegemos o livro Maya e a Fera (2023), de Maya Gabeira para elaborar as atividades, especialmente para as crianças. Para tal, nosso grupo se reuniu todas as sextas-feiras pela manhã ao longo do ano de 2025.
Deste modo, nossas atividades extensionistas tiveram como tema central a apresentação do livro, já mencionado, Maya e a Fera (2023), de Maya Gabeira. A obra narra a história de Maya, uma menina com asma que sonha em surfar uma onda gigante chamada “Fera”, na cidade de Nazaré, em Portugal. Ao desafiar seus limites, ela encontra no oceano uma fonte de força e liberdade. Maya reafirma a potência transformadora do oceano e mostra que meninas também podem superar barreiras e conquistar espaços.
Nossa intenção foi promover o letramento oceânico sem perder a ludicidade, por conseguinte, o projeto reafirma a capacidade das crianças de compreenderem o mundo a partir da interação entre os seres humanos e o ambiente que nos cerca. Durante os encontros semanais, já mencionados , que realizamos sob a orientação dos professores coordenadores, exploramos ideias que promovem debates sobre acolhimento na percepção do oceano como ambiente simultaneamente acolhedor e desafiador, ampliando nosso repertório de conhecimento para que possamos oferecer aos alunos um olhar mais crítico sobre o oceano como um lugar de afeto.
A primeira atividade que participamos foi o Festival da Ciência pelo Clima, organizado pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI -RJ), realizado nos dias 14 e 15 de novembro na Quinta da Boa Vista na cidade do Rio de Janeiro. Tratou-se da 3ª edição do Festival da Ciência promovido pela SMCTI-RJ, neste ano destacou o tema do clima devido à realização no Brasil da COP 30; a cúpula é a Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas), um evento anual que reúne representantes de diversos países, além de diplomatas, cientistas, sociedade civil e empresas privadas.
Fonte: Acervo pessoal.
Portanto, para participar do evento do Festival da Ciência pelo Clima, na Quinta da Boa Vista, submetemos nossa proposta atendendo a chamada da pró-reitoria de extensão da UFRJ, como uma das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2025. Deste modo, nosso trabalho intitulado “Os oceanos através da literatura e dos sambas enredos” foi aprovado. Tivemos a possibilidade de participar do estande da UFRJ no Festival da Ciência pelo Clima. E nosso grupo ficou responsável por expor o tema: Os oceanos através da literatura”; enquanto o tema dos oceanos nos sambas-enredo foi apresentado pelos nossos colegas, estudantes da UFRJ, que participam de outra pesquisa e extensão, coordenada pela professora Renata Bastos, intitulada: “Encontros Internacionais ‘O brasileiro entre outros hispanos’: afinidades, contrastes e possíveis futuros nas suas inter-relações”.
Então, no Festival da Ciência pelo Clima, no dia 15 de novembro, nossa apresentação teve como foco o letramento oceânico, promovido pela Década da Ciência Oceânica, e a inclusão de crianças de culturas diversas nos espaços escolares. Nosso estande recebeu a visita de diversas crianças que participaram de atividades lúdicas, como jogo da memória e desenhos com imagens do livro, enquanto explicamos aos pais e visitantes o objetivo do projeto a partir do poster que elaboramos para expôr o livro e a trajetória de surfista Maya Gabeira. A interação revelou entusiasmo, por parte das crianças, pelo livro e pelo oceano: elas se envolveram nas brincadeiras, fizeram desenhos e se surpreenderam com a história da Maya, uma jovem mulher que foi vitoriosa, desde menina, em um esporte majoritariamente masculino.
A segunda atividade ocorreu nos dias 27 e 28 de novembro de 2025, na Escola Municipal Dom Aquino, da rede de educação pública do município do Rio de Janeiro, localizada em Copacabana. Os extensionistas, pesquisadores, as professoras e o professor reuniram-se com a coordenação pedagógica da escola para organizar nossa participação da FLIAR (Feira Literaria Antirracista).
Fonte: Acervo pessoal.
Na FLIAR dividimos o livro em duas partes, com o uso de slides, para apresentarmos aos alunos do 3º ano da Escola Municipal Dom Aquino, uma foi na quinta-feira (27/11/2025), e a outra na sexta-feira (28/11/2025). Apresentamo-nos como estudantes da UFRJ, extensionistas e pesquisadores do projeto Vida Pública, contamos a história de maneira interativa e com dinâmicas para que as crianças entendessem.
Durante a exposição da história, fizemos várias interações e perguntas, e todas as crianças participaram ativamente, respondendo e contando suas próprias histórias. Assim como Maya foi uma atleta, perguntamos às crianças qual era o esporte preferido delas, e houve várias respostas, como “Eu sou ginasta”. Dois alunos já tinham ido a Nazaré, em Portugal, onde se passa toda a história do livro. Colocamos o som de ondas, e os alunos disseram que aquele som deixava todos relaxados e pensativos.
Em um momento inesperado para os alunos, levamos uma prancha de surf para a sala de aula onde acontecia nossa exposição. Mostramos de perto cada detalhe e explicamos como funciona esse equipamento na água e os cuidados que devemos ter. Todos ficaram surpresos e felizes com a prancha perto deles, podendo tocar e ver tudo de perto. Encerramos o primeiro dia com uma atividade de colorir os desenhos das ondas e da Maya, personagem e autora do livro.
No segundo dia, retomamos a leitura do livro. Essa parte é mais focada no esforço da Maya para aprender a surfar e como ela acaba surfando a “Fera”, as crianças ficaram empolgadas e admiradas com a coragem e a persistência dela. Assim, propusemos uma dinâmica perguntando quais atletas femininas elas conheciam e surgiram respostas como “Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Marta”.
Fonte: Acervo pessoal.
Ao final da leitura, contamos às crianças quem é a verdadeira Maya, nascida no Rio de Janeiro, apaixonou‑se pelo surfe aos 14 anos e treinava em Ipanema, tornou‑se a primeira mulher surfista profissional de ondas gigantes em 2007 e em 2018 surfou uma onda de 20 m, em 2020, superou‑se com mais de 22 m. Inspirada pelo pai, ela defende que sonhos são possíveis com persistência. As crianças ficaram muito surpresas ao saber que Maya é carioca, muitas disseram já ter ido à praia de Ipanema e se espantaram com o tamanho das ondas que ela enfrentou.
Fizemos ainda pequenas dinâmicas com a turma, como jogo da memória com imagens do livro e atividades de desenho. Alguns se aventuraram a ilustrar a cena de que mais gostaram; a resposta mais comum foi o momento em que Maya recebe a prancha. Certamente as atividades fizeram as crianças se envolverem mais com a leitura, despertando curiosidade pelo oceano e inspiraram coragem para experimentar e aprender coisas novas.
Deste modo, entendemos que a apresentação do livro Maya e a Fera (2023) nessas duas atividades, além de ressaltar a importância da educação ambiental, sublinha a relevância do debate e compreensão sobre a Década das Nações Unidas de Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Também conhecida como “Década do Oceano” foi declarada pelas Nações Unidas em 2017 e com previsão de realização entre 2021 e 2030. Por conseguinte, nosso debate teve como objetivo provocar a discussão profícua por meio da interface ciência-política, para contribuir com a efetiva criação de uma gestão dos nossos oceanos e zonas costeiras em benefício da humanidade.






