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CATEGORIAS: Defesas Pós-graduação

 

Resumo: Reconstrói e analisa criticamente a trajetória da favela de Brás de Pina, na Zona da Leopoldina do Rio de Janeiro, entre a ameaça de remoção movida pelo governador Carlos Lacerda em 1964 e a conclusão do processo de urbanização conduzido pela Companhia de Desenvolvimento de Comunidades (CODESCO) em 1971. Situa esse episódio dentro do processo mais amplo de formação da cidade, relacionando a segregação racial, a colonialidade e a disputa política pelo espaço à consolidação histórica das favelas cariocas desde o início do século XX. Examina a atuação da União de Defesa e Melhoramentos da Favela de Braz de Pina e dos padres católicos na articulação da resistência à remoção e na posterior elaboração autônoma de um estatuto popular de urbanização, dois anos antes da criação da CODESCO. Investiga o processo de urbanização à luz da distinção entre espaços convidados e espaços inventados de participação formulada por Faranak Miraftab, identificando na atuação sistemática da Companhia, no instrumento de financiamento e no fenômeno da remoção branca mecanismos de controle e fragmentação da mobilização coletiva. Explica, a partir da teoria da renda da terra de David Harvey, o processo de verticalização e adensamento construtivo decorrente da inserção da favela no mercado imobiliário formal. Mobiliza fontes primárias inéditas – documentação da Comissão Nacional da Verdade, do Arquivo Nacional e do Fundo Polícias Políticas do Rio de Janeiro, entrevistas e o acervo da Irmandade de Santa Edwiges — para contrapor à “História Oficial” das favelas uma narrativa fundada na memória e na autoria dos próprios moradores. Conclui que a experiência de Brás de Pina configurou, simultaneamente, uma mobilização popular genuína e uma forma sofisticada de dominação por inclusão, mediada pela intensificação do mercado de terras na favela.

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