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Professora Hipólita Siqueira participa de palestra em seminário sobre Desenvolvimento Regional no Brasil promovido pelo Ipea

Publicado em 15/05/2026

CATEGORIAS: Boletim IPPUR, Destaques, Notícia PPGPUR, Notícias, Slideshow PPGPUR

Boletim nº 95, 15 de maio de 2026

Foto: Thiago Albuquerque/Ipea

Foto: Thiago Albuquerque/Ipea

No dia 14 de abril, a professora Hipólita Siqueira participou do seminário Desenvolvimento Regional no Brasil – Tendências Recentes e Agenda para o Futuro, promovido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), na mesa Dinâmicas Territoriais: Novas e Velhas Tendências [1] 
Assista a palestra no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=RCIoDkjv-j4&t=8629s
. O evento buscou realizar debates sobre o tema do desenvolvimento regional, considerando a centralidade do planejamento territorial integrado, reunindo diversos órgãos como Ministérios, representantes do Senado e universidades federais, com o intuito de discutir novas ações e influenciar a agenda de pesquisa do Instituto.

Sua participação ressaltou como as transformações na economia nacional desde a década de 1990 contribuíram para reestruturar as desigualdades territoriais no país, evidenciando que essas mudanças não ocorreram de forma neutra e tiveram efeitos diretos na maneira como o desenvolvimento se distribui entre as regiões. Siqueira formou sua análise a partir da divisão inter-regional do trabalho e, nessa linha, defendeu uma abordagem multiescalar, na qual o regional é entendido em constante relação com o nacional e o mundial. Essa concepção sustenta sua crítica ao que chamou de “nacionalismo metodológico”, uma visão limitada que trata os locais como partes isoladas, sem considerar as influências externas que também moldam suas dinâmicas internas.

É nesse contexto que se insere um aspecto fundamental da análise: a reprimarização da economia brasileira, marcada pela predominância de ganhos financeiros e pela dificuldade de manter um crescimento contínuo. Ao mesmo tempo, a desindustrialização observada nas últimas décadas enfraqueceu o setor industrial, reduzindo a capacidade de se impulsionar outras atividades, enquanto os investimentos passaram a se concentrar em áreas mais simples, como as commodities primárias que, embora possam envolver algum nível tecnológico, não estimulam a economia de modo mais amplo, como ocorreria em uma estrutura mais diversificada.

A análise de Siqueira demonstra que o desenvolvimento regional não ocorre de forma isolada, mas expressa escolhas e prioridades do Estado que precisam ser pensadas de forma articulada e com visão de longo prazo. No caso brasileiro, as políticas de desenvolvimento regional se esbarram em limites decorrentes da baixa taxa de investimento e de uma política macroeconômica que, segundo a professora, reforça a inserção internacional do país como exportador de produtos primários e voltado à valorização financeira. Segundo sua exposição, esse cenário tem consequências sociais profundas, já que a renda concentrada em setores extrativistas ou agroexportadores nem sempre se traduz em melhorias reais nas condições de vida das populações locais, muitas vezes mantendo economias dependentes e vulneráveis às mudanças do mercado internacional.

Diante desse panorama, ganha destaque o posicionamento de Siqueira ao alertar que, sem mudanças na trajetória produtiva, o Brasil pode reforçar ainda mais uma geografia marcada por desigualdades. Ao questionar se iniciativas recentes, como a Nova Indústria Brasil (NIB), conseguem alterar esse quadro (especialmente considerando que os recursos ainda se concentram, em grande parte, nas regiões Sul e Sudeste), a professora aponta para a necessidade de uma atuação mais consolidada do Estado. Isso demanda ir além dos gastos sociais e apostar em uma reindustrialização que considere as especificidades e potencialidades de cada território, de modo que o desenvolvimento regional deixe de ser apenas uma diretriz econômica e passe a ser entendido como parte de um projeto mais amplo, ligado à soberania e à busca por maior justiça social.

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