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Relatório analisa dados sobre tempo de conclusão do curso no Programa de GPDES

Publicado em 15/06/2026

CATEGORIAS: Boletim IPPUR, Destaques

Boletim nº 96, 15 de junho de 2026

 

Gustavo Costa
Professor e vice-diretor do IPPUR

 

Relatório produzido pelo Prof. Gustavo Costa com base em 889 matrículas do Programa de Graduação em Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social – GPDES, contemplando o período que vai desde a concepção do curso até o segundo semestre de 2025, produz indicadores que evidenciam dinâmicas distintas de permanência, engajamento, progresso acadêmico e duração real da formação no curso de graduação. Os dados preliminares do levantamento permitem analisar as situações gerais de egressos e de estudantes com matrículas ativas. Foi possível identificar que a conclusão do curso ocorre tipicamente entre 5 e 7 anos e que, entre estudantes com matrícula ativa, há elevada retenção, com um contingente relevante de estudantes em longa permanência no grupo dos mais antigos. Os resultados podem apoiar discussões institucionais sobre ajustes curriculares, políticas de acompanhamento discente, evasão não formal, necessidade de ações de apoio a estudantes em atraso crônico, e melhorias nos tempos de integralização. Mais informações estão disponíveis no relatório da pesquisa, a seguir:

Análise dos Indicadores de Matrículas Ativas e Concluídas

Este relatório apresenta um conjunto de análises descritivas referentes às matrículas ativas e concluídas, organizadas segundo a situação acadêmica, coorte de ingresso e indicadores de fluxo, permanência e retenção.As análises foram produzidas a partir da base SIGA, atualizada até 07/08/2025.

1. Distribuição das Situações de Matrícula

A segmentação inicial da base definiu dois grandes grupos:

  • Ativos (A*), englobando as situações A01, A02, A07 e A99;
  • Concluídos (C*), representando apenas a situação C02.

Composição dos conjuntos

Tabela 1 - Composição dos conjuntos

No grupo dos concluídos, toda a população categorizada como Cancelada por conclusão de curso (C02) compõe esse segmento.

2. Fluxo por Coorte de Ingresso

A análise do fluxo por coorte — com base no número de ativos e concluintes — mostra uma tendência clara:

  • As coortes mais antigas (2008–2013) apresentam proporções muito altas de conclusão, frequentemente acima de 90%.
  • A partir das coortes intermediárias (2014–2017), observa-se ainda predominância de concluuintes, mas com pequeno aumento relativo do percentual de ativos remanescentes.
  • Entre as coortes recentes (2020–2024), ocorre o movimento esperado: predominância de estudantes ativos, pois ainda estão no período regular de formação.

3. Tempo de Permanência no Curso

O tempo médio e mediano de permanência entre os grupos mostra padrões distintos de trajetória acadêmica:

  • Ativos (A*)
    • Tempo médio: 3,51 anos
    • Mediana: 3,02 anos

Esses valores são compatíveis com estudantes ainda em fase intermediária do curso. Entretanto, existe variação relevante entre subgrupos: alunos em situação de rematrícula por destrancamento apresentam permanências significativamente maiores (médias acima de 6 anos), indicando trajetórias irregulares ou marcadas por trancamentos repetidos.

  • Concluídos (C*)
    • Tempo médio: 6,33 anos
    • Mediana: 6,02 anos
Tabela 2

Esse resultado revela que, entre os concluuintes, o tempo de integralização tende a ser de seis anos, superior ao tempo mínimo esperado para cursos de 4 ou 5 anos, dependendo da estrutura curricular. Trata-se de um indicador importante sobre a duração real da formação.

A distribuição de tempo por grupo reforça esse diagnóstico: enquanto os ativos concentram-se em faixas mais baixas, os concluuintes exibem distribuição mais concentrada entre 5 e 7 anos, com poucos casos extremos.

3.1 Análise do Conjunto A – Matrículas Ativas (A*)

O Conjunto A reúne estudantes que permanecem com matrícula ativa ao final do período analisado. Embora a maior parte corresponda a trajetórias regulares, os subgrupos internos evidenciam dinâmicas distintas de permanência, engajamento e progresso acadêmico.

Este conjunto é composto majoritariamente por estudantes em situação regular, mas apresenta segmentos críticos associados à permanência prolongada.

3.1.1 Análise Específica dos Subgrupos

A01 – Ingressantes regulares (n=426)

O subgrupo A01 concentra a vasta maioria dos ativos (85%) e representa o fluxo regular do estudante típico.

Tabela 3

Trata-se do núcleo central do curso, composto majoritariamente por estudantes em fase intermediária de progressão. Os indicadores dessa categoria são consistentes com o tempo de integralização esperado no currículo.

A análise da distribuição indica que a maioria dos estudantes deste grupo está entre 1 e 4 anos de curso, coerente com fluxo regular; e 25% dos estudantes estão com matrícula ativa há mais de 4 anos.

A02 – Reingresso/Retorno (n=62)

O subgrupo A02 representa estudantes que interromperam voluntariamente o curso e solicitaram retorno.

Tabela 4

Esse grupo evidencia trajetória acentuadamente distinta da dos estudantes regulares:

  1. São majoritariamente pertencentes a coortes antigas (2013–2017).
  2. Apresentam permanência média superior ao tempo de integralização típico dos concluintes,
  3. indicando múltiplos ciclos de interrupção.
  4. Constituem um segmento estrutural da permanência prolongada e demandam políticas específicas de reintegração acadêmica.
  5. Neste grupo, 50% estão com matrícula ativa há mais de 6,2 anos e 25% estão com matrícula ativa há mais de 8,4 anos.

A07 – Retorno automático (n=7)

O A07 representa o ponto crítico do Conjunto A.

  • Tempo médio: 8,56 anos
  • Tempo mediano: 9,02 anos

Seu padrão sugere:

  • elevada probabilidade de evasão não formalizada;
  • vínculo prolongado sem engajamento acadêmico real;
  • embora em pequeno número de casos, produz forte impacto nos indicadores de retenção e eficiência acadêmica.

O A07 pode significar que parte das matrículas ativas compreende registros sem progressão acadêmica.

A99 – Ativo em conclusão de curso (n=6)

O subgrupo A99 representa estudantes que se encontram formalmente em processo de conclusão.

  • Tempo médio: 7,13 anos
  • Tempo mediano: 7,23 anos

Esses estudantes tendem a apresentar longa permanência devido a:

  • atrasos na integralização,
  • pendências finais (estágio, TCC),
  • interrupções na trajetória.

Do ponto de vista institucional, esse subgrupo indica gargalos nas últimas etapas do curso e pode ser foco de estratégias de acompanhamento final.

3.2. Análise do Conjunto C – Matrículas Concluídas (C*)

O Conjunto C é composto exclusivamente pelo subgrupo C02 – Cancelada por conclusão de curso, reunindo 388 matrículas.

O resultado indica que a conclusão do curso ocorre tipicamente entre 5 e 7 anos, refletindo prolongamento significativo em relação ao tempo mínimo curricular. Esse padrão sugere que o curso opera com forte influência de trancamentos e percursos individualizados.

Distribuição percentual por faixas de tempo

  • Até 4,5 anos: 8,29%
    • Minoria que conclui dentro do tempo nominal + 1 semestre.
  • Entre 4,5 e 5 anos: 12,95%
    • Representa quem conclui próximo ao limite estendido, mas ainda relativamente cedo.
  • Entre 5 e 6 anos: 28,76%
    • Grande bloco perto da mediana institucional.
  • Entre 6 e 8 anos: 35,75%
    • Este é o grupo dominante: 1 em cada 3 concluintes termina entre 6 e 8 anos.
  • Mais de 8 anos: 14,25%
    • Núcleo da permanência prolongada real.

4. Indicadores de Retenção e Permanência Prolongada

Entre os 501 estudantes ativos, observou-se:

  • 21,4% com 6 anos ou mais de curso;
  • 10,6% com 8 anos ou mais de curso.

Entre os 388 egressos, observou-se:

  • 49,7% formados com até 6 anos de curso;
  • 51,3% formados com 6 anos ou mais de curso.

5. Síntese Interpretativa dos Resultados

Os dados revelam um quadro consistente com o comportamento de um curso de longa duração, em instituição pública, com políticas de trancamento relativamente flexíveis:

  1. Predomínio de ingressantes no grupo ativo com até 3 anos de curso, sinalizando renovação contínua das turmas.
  2. Tempo médio de integralização de cerca de seis anos entre concluintes, acima do mínimo formal, o que sugere:
    • atraso generalizado,
    • pressões acadêmicas ou curriculares ou de trabalho,
    • trancamentos frequentes ou
    • características do perfil discente.
  3. Retenção elevada entre os ativos mais antigos, com um contingente relevante de estudantes em longa permanência (≥ 6 e ≥ 8 anos).
  4. Fluxo por coorte coerente, com coortes antigas praticamente fechadas e coortes recentes ainda “em formação”.

Esses elementos podem apoiar discussões institucionais sobre:

  • ajustes curriculares,
  • políticas de acompanhamento discente,
  • evasão não formal,
  • necessidade de ações de apoio a estudantes em atraso crônico,
  • e melhorias nos tempos de integralização.

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